Menos de duas horas após o assassinato de uma mulher de 48 anos, com problemas mentais, a Polícia Civil identificou o autor de um homicídio ocorrido a sangue frio, na madrugada desse sábado (22), no município de Delmiro Gouveia, Sertão alagoano. A equipe da 1ª Delegacia Regional de Polícia (1ª DRPrealiza buscas.
Motivado
Segundo informações repassadas pelo delegado Rodrigo Cavalcanti, o crime foi motivado pelo fato da vítima, identificada como Rosineide Maria da Conceição, conhecida como “Neide”, uma paciente do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), ter feito um arranhão no carro do suspeito. O mesmo Celta vermelho que ele utiliza para chegar ao local do crime, na rua Juscelino Kubitschek, no bairro Eldorado, já portando uma arma de fogo.
Relatos de testemunhas à portais de notícias da região dão conta que a vítima teria discutido com a esposa do autor dias antes, inclusive a PM chegou a ser acioanada. Após a briga, a vítima teria usado uma pedra para arranhar o carro do marido dessa vizinha. O homem, irritado com a situação, teria feito ameaças contra Rosineide.
O filho da vítima, que não teve o nome divulgado, teria contado também à Polícia Militar que, na noite de sexta-feira (21), o suposto autor do crime o procurou para reclamar que Rosineide teria arranhado seu carro. Após confirmar o ocorrido, o filho teria dito ao vizinho que a família arcaria com o prejuízo.
Ainda conforme o investigador, o autor tentou inicialmente invadir a residência da vítima, sem obter sucesso. Ao encontrar a mulher na rua, em aparente estado de vulnerabilidade psicológica, efetuou os disparos que resultaram em sua morte.
As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do caso.
A Polícia Civil em conjunto com a Polícia Militar realiza diligências para localizar e prender o suspeito. Quem tiver informação que ajude a localizar o autor do crime, pode ligar para o Disque Denúncia 181. A ligação é de graça e não é preciso se identificar
Nota do Caps
Após a repercussão do crime, a responsável pelo CAPS Dr. Gaudêncio, onde a vítima era atendida, a psicóloga Dra. Valéria, destacou a vulnerabilidade desses pacientes e questionou o desprezo da sociedade por vidas em sofrimento psíquico. Confira na íntegra:
A QUESTÃO HUMANA É A MAIOR URGÊNCIA QUE VIVEMOS
Hoje, dia 22 de março de 2025, o CAPS DR. GAUDÊNCIO acordou com uma triste notícia: a perda de uma usuária RMC, mulher 50 anos, mulher preta, mulher obesa, mulher paciente psiquiátrica, mulher vulnerável… quantas questões.
Pensam: “Ah, olha lá, a doida do CAPS chegou! Muitos estigmas!!!!
Gente, o pessoal do CAPS está nas ruas, nas casas, nas famílias, no trabalho, na sociedade.
Sim, estão! Estão trabalhando, votando, comprando, vendendo, se divertindo, transitando na VIDA, afinal, somos todos HUMANOS.
Mas a sociedade não quer vê-los assim, inseridos nas nossas vidas. Afinal, quem precisa de “gente doida” ou tudo foi resolvido com…
O que entendemos do SER, isso mesmo, o que entendemos de SER HUMANO?
Quantas situações de inúmeras violências se tem hoje em dia, pois a VIDA ficou banalizada e, se esta vida estiver em sofrimento psíquico, então, quanto preconceito e estigma essa pessoa carrega, estigma que parece querer desvalidá-la.
Onde foi parar a SOLIDARIEDADE, A EMPATIA, O CUIDADO, O AMOR do SER humano?
Então, pergunto: nós do CAPS estamos frustrados? Fracassamos nos cuidados? Poderíamos pensar um NOVO nome para essa DOR?
A resposta é NÃO! Precisamos fazer reparações emocionais para as desigualdades, para a tolerância e fazer a construção das nossas essências de pessoas humanas de Deus.
E para finalizar esse momento, vou dizer uma frase de NISE da Silveira:
“O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito.”
Parabéns pela luta antimanicomial, vida em LIBERDADE.
Beijos de todos os usuários do CAPS e equipe CAPS Dr. Gaudêncio.
Com Ascom PC/AL e portais locais